SOBRE DEUS

Cremos em um só Deus, que é Santo, Criador de todas as coisas, soberano, eterno, subsistente em três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29).

Em nenhuma parte da Bíblia Sagrada os escritores bíblicos se empenham para provar a existência de Deus. Eles partem do pressuposto básico de que Deus existe e ocupam-se em descrever tão somente as ações de Deus e o seu caráter (Gn 1.1; Hb 11.3).

Mas a Bíblia dá testemunho de Deus em ação no mundo físico, na história e na vida particular dos indivíduos. Esses testemunhos despertam, aperfeiçoam e fortalecem a fé na Pessoa de Deus.

Embora a Bíblia fale de homens que dizem em seus corações que “não há Deus”, a presença divina no mundo é fato real e insofismável.

Os ateus praticantes que tentam banir a Deus de seus pensamentos fazem-no pelo fato de o terem retirado primeiramente de suas vidas. Mas é de um escritor alemão a desconcertante frase sobre o ateísmo: “Cada ateu abriga um crente no coração”.

Existência de Deus

De acordo com alguns estudiosos e teólogos, a existência de Deus é uma verdade primária e fundamental. Uma verdade é primária ou fundamental quando se caracteriza pela universalidade, necessidade e auto-evidência. Ou seja: uma verdade que é aceita universalmente, que se impõe como necessária para que se possam explicar as demais realidades e que se mostre por si mesma, sem depender de uma prova preliminar, dada pelo homem, para ser aceita.

São concebidos como verdades primárias o tempo, o espaço, o número, causa e efeito, idéia do bem e do mal. As noções dessas verdades são intuitivas no homem e desenvolvem-se pela experiência. Assim é também Deus para o ser humano: uma verdade fundamental, primária, que é aceita e vivida na experiência da vida.

A idéia de que Deus existe é universal. Em qualquer cultura, povo ou época encontra-se esta crença. A existência de Deus é necessária para que o homem tenha resposta adequada para as questões fundamentais levantadas pelo pensamento humano. Ela é auto-evidente: mostra-se por si só[sic]. Independe de ser aprovada pelo homem para que seja aceita por verdade. É como uma flor que, exalando seu perfume, prova sua existência e presença aos circunstantes que têm a capacidade de sentir o cheiro. (Severa, Zacarias de Aguiar. Manual de Teologia Sistemática. Curitiba: AD Santos, s.d.)

O livro Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal, de Stanley Horton, publicado pela CPAD, tem uma visão bem contemporânea dos temas dogmáticos.

Acerca de Deus disse Jó: “[…] faz grandes coisas que nós não compreendemos” (Jó 37.5,6, grifo nosso).

Não é porque não compreendemos uma coisa que ela deixa de existir. Mesmo que Deus não seja alcançado pela compreensão humana, Ele continua reinando soberano sobre tudo e sobre todas as coisas: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibas, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Is 43.10).

A natureza de Deus

Deus é apresentado na Bíblia como infinitamente perfeito (Dt 18.13; Mt 5.48). Logo, a sua obra é perfeita (Dt 32.4), e também os seus caminhos (SI 18.30). Todas as características de sua Pessoa e de sua natureza não são apenas expressões de alguma atitude que demonstra ou possui, mas constituem a própria substância de sua divindade.

Não se pode explicar a natureza de Deus, mas somente crer nEle. Podemos basear a nossa doutrina sobre Deus nas pressuposições já citadas e nas evidências demonstradas nas Escrituras. Alguns textos bíblicos atribuem à pessoa de Deus qualidades que os seres humanos não possuem, ao passo que outros textos o descrevem em termos de atributos morais compartilhados pelos seres humanos, ainda que de forma limitada. Por exemplo, Deus é santo por natureza, e o homem, por participação (Rm 1.4; 2 Co 7.1; 1 Ts 3.13).

O Antigo Testamento usa o termo “santo” em sentido absoluto apenas quando se refere à majestade incriada e inteiramente inacessível de Deus, sendo que tudo o mais, em comparação a Ele, é o absolutamente não-santo (Êx 15.11).

Em comparação a Deus, ninguém e nada é santo ou puro, e homem nenhum pode se atrever a chamar-se santo ao lado de Deus (Jó 4.17; 15.4; 25.4-6). Só Deus santifica, só Ele faz o homem participar de sua santidade; é de Deus que vem a santidade de Israel.

A esse princípio segue imediatamente o seu aspecto ético, que é realçado, sobretudo pelo contraste com a pecaminosidade do homem.

A natureza de Deus é identificada com mais freqüência por aqueles atributos que não possuem analogia com o ser humano. Deus existe por si mesmo, sem depender de outro ser. Ele é a fonte originária da vida, tanto ao criá-la quanto ao sustentá-la. Deus é espírito; Ele não está confinado à existência material e é imperceptível ao olho físico.

Sua natureza é imutável, já mais se altera. Posto que o próprio Deus é o fundamento do tempo, Ele não pode ser limitado pelo tempo. Ele é eterno, sem começo nem fim. Deus é totalmente consistente dentro de si mesmo. O espaço não pode limitá-lo, pois Ele é onipresente. Deus também é onipotente, pois é poderoso para fazer tudo que esteja de acordo com a sua natureza e segundo os seus propósitos. Além disso, é onisciente; conhece efetivamente todas as coisas — passadas, presentes e futuras. Em todos esses atributos o cristão pode achar o consolo e a confirmação da fé, ao passo que o incrédulo é advertido e motivado a crer.

De acordo com Carl Braaten, Deus tanto é contínuo como tem um ser contínuo, tudo o mais é temporário.

É preciso ressaltar ainda que não existe contradição entre a natureza perfeita de Deus e o seu poder ilimitado. Porque Deus jamais fará coisa alguma incompatível com a sua perfeita santidade. Ele, que tudo pode (Jó 42.2), só faz o que lhe apraz (SI 115.3). Porém, existem coisas que o Onipotente não pode fazer: Ele não pode mentir (Nm 23.19; Tt 1.2; Hb 6.18), não pode negar-se a si mesmo (2 Tm 2,13) e não pode fazer injustiça (Jó 8.3; 34.12). Ele é sempre santo em todas as suas obras (SI 145.17). Deus também não faz acepção de pessoas (2 Cr 19.7; Rm 2.11).

Os atributos de Deus

Atributo é aquilo que qualifica um ser. Ao conhecer os atributos de um objeto, buscamos a essência de sua natureza. Quando conhecemos a Deus, descobrimos os seus atributos e o reconhecemos como um ser infinito.

Encontramos nas Escrituras os atributos de Deus. Elas declaram o que Ele é e o que Ele faz. É verdade que, como criatura, desvendá-los ou relacioná-los no seu todo é tarefa difícil, se não de todo impossível para nós.

O apóstolo, escrevendo sobre a glória de Deus, declara: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno” (1 Tm 6.16).

Encontramos nas Escrituras os atributos absolutos de Deus: vida, personalidade, imutabilidade, unidade, verdade, amor, santidade, bondade, misericórdia e justiça.

Os atributos naturais de Deus são: onipresença, onisciência e onipotência.

Onipresença. Deus relaciona-se com tudo e todos ao mesmo tempo. Está presente em toda a sua personalidade. Não há como fugir da presença de Deus. “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (SI 139.7-10).

Onisciência. Deus é onisciente porque conhece todas as coisas. Nada há que se esconda de sua onisciência. “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10.30). Na onisciência de Deus, o futuro também está presente: “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguida¬de, as coisas que ainda não sucederam” (Is 46.9,10). A onisciência de Deus garante-nos que todos os futuros julgamentos serão de acordo com a verdade.

Onipotência. O apóstolo João, na ilha de Patmos, assim descreve parte de sua visão apocalíptica: “Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. E logo fui arrebatado em   espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono” (Ap 4.1,2). Quando Deus apareceu a Abrão, em Gênesis 17.1, disse-lhe: “Eu sou o Deus Todo-poderoso […]”. Entendemos que o mundo físico ou material e o mundo espiritual dependem de seu poder e por ele são controlados. É do trono que emana toda ordem para o mundo visível e para o invisível. Deus não está sujeito a nenhuma força exterior ou contrária à sua vontade. É soberano em todo o Universo: “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar” (Is 40.22; cf. vv. 12-15).

A Trindade

Ainda que não se encontre nas Escrituras a palavra “Trindade”, é bíblico, no entanto, o fundamento dessa doutrina, presente nos ensinos proferidos por Jesus Cristo e seus apóstolos.

Encontramos no Antigo Testamento a doutrina da Trindade: a) na criação e formação do homem (Gn 1.1,26); b) na dispersão dos rebeldes de Babel (Gn 11.1-7); c) na chamada do profeta Isaías (Is 6.3) e em tantas outras passagens.

Mas é no Novo Testamento que encontramos de forma mais explícita essa doutrina. No início do ministério de Jesus, por ocasião do seu batismo em águas, o Espírito Santo desce sobre Ele e o Pai lhe diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). Observa-se nesse episódio a Trindade em cena, ratificando assim a sua realidade no Novo Testamento. Vemos também, em João 14.16, que Jesus roga ao Pai para que envie aos discípulos o Espírito Santo.

Findando o seu ministério, Jesus ordena aos discípulos que preguem e ensinem o Evangelho a todas as nações, “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Essa é mais uma clara referência à Trindade.

Nos ensinos de Paulo, há referências cabais sobre a Trindade. Aos irmãos da Igreja em Corinto ele diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” (2 Co 13.13).

Diante do exposto, é impossível que se negue a doutrina da Trindade nas Escrituras, visto que a encontramos não somente nos textos considerados por alguns como simples inferências, mas também, e principalmente, nos textos que são referências reais, e não somente verbais.

Concluindo, Paulo cita, em Efésios 1.3, a obra da Trindade na salvação dos homens, referindo-se ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”.

 

Deixe um comentário